sexta-feira, 30 de outubro de 2009


Eu vou sempre em frente...

Eu quero o delírio.
Eu sou assim.
Não pretendo a integração,
mas a abertura e a busca.
Encontrar pode ser impossível
ou desinteressante.
Quero o pressentimento.
Quero comprimir a tecla do computador
e explodir o ponto e arquear o contorno,
varando os limites que a vida há de preencher
e o sonho tornará possível.
Quero o delírio que me permita
cumprir o cotidiano
e amar o amor necessário
—mas que também faça as utopiasvirem sentar-se na minha varanda
e escrever no meu computador
quando a razão estiver cansada,
quando a técnica parecer frívola,
ou quando eu estiver descrente.

(Lya Luft)

Ela quer mais é viver...

Ela quer um punhado de estrelas maduras,
ela quer a doçura do verbo viver ...

(Caio Fernando Abreu)

Por mais que eu lutasse para não pensar nele,
eu não lutava para esquecê-lo. Eu me preocupava

tarde da noite, quando a exaustão da privação de sono
penetrava em minhas defesas
que tudo desaparecesse. Que minha mente fosse uma peneira
e eu um dia não conseguisse lembrar da cor exata de seus olhos,
da sensação de sua pele fria ou da textura de sua voz.
Eu podia não pensar naquilo, mas queria me lembrar de tudo.
Porque só havia uma coisa em que eu precisava acreditar para poder viver
eu precisava saber que ele existira.
Era só.
Todo o restante eu podia suportar. Desde que ele tivesse existido..

(Stephenie Meyer)
-in Twinlight-

quarta-feira, 28 de outubro de 2009


Almas Perfumada

Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.

De flor quando ri ao lado delas,
a gente se sente no balanço de uma rede
que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que
a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas
que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave
que sua presença soprano nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade
é um perfume que vem de dentro e
que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos
Deus está conosco, juntinho ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro.
Tem gente como você que nem percebe como tem a alma Perfumada!
E que esse perfume é dom de Deus.

(Carlos Drummond de Andrade )

quinta-feira, 22 de outubro de 2009



Nunca vi e até duvido
Que exista alguma Fada azeda
Todas são docinhas meigas e bonitinhas
Todas dotadas de uma graça singular
Sorridentes e ativas a voar
Explico a causa da doçura:
Vem de uma remota travessura
Da total falta de compostura
Do abrir de asas sem censura
De amar a vida e toda criatura
A doçura está nas fadas
Ou está em seu olhar
Calda doce de uma lágrima
Que assim tão mansamente
Por elas vais derramar

♥ Paty Padilha & Bernadette Moscareli

Sobre a paixão

Eu poderia escrever uma carta e rabiscar um coração,
mas há vento demais num á de suspiro.
Então,
guardo o suspiro na boca,
preso por dentes e,
quando não mais agüento,
assopro bolinhas de sabão.

(Rita Apoena)

"Como não me apaixonar

não me render, não me entregar,

não me completar com

tudo que é você;

Que me rouba o pensamento,

que me deu meu melhor momento,

que tem me ensinado o que

eu não sei do verbo amar..."


(Cáh Morandi)